Pois, assim como a fé não pode ficar apenas nos sinais, o padre é chamado a sempre a aprofundar a sua fé e fortificá-la por meio de uma vida e testemunho de santidade
A teologia Joanina pode contribuir muito para refletirmos sobre a vida do Presbítero. Porque traz um grande aprofundamento sobre o mandamento do amor e do serviço. Mas, dos vários aspectos teológicos presentes no Evangelho de João, neste artigo nos aprofundaremos em apenas dois: A fé e os Sinais.
Os sinais no Evangelho de João são uma manifestação ou indicação da glória de Jesus (cf. Jo 2, 11), da realidade Divina (cf. 3, 2) que está escondida na sua carne, de seu caráter messiânico. Eles desvelam e escondem, poderíamos dizer que antecipam a glória do Cristo (cf. 11, 4), mas devem nos remeter a uma reflexão sobre a missão de Jesus. Portanto, são sempre sinais cristológicos, mas não revelam simplesmente o Filho, mas, mostram em profundidade o rosto do Pai (cf.14,9), pois nos sinais de Jesus está presente a ação do Pai (cf. 5, 19-47).
Por isso, querem significar toda a atuação de Jesus: de Caná, passando pela manifestação da Glória na Cruz e Ressurreição (ambos ápices dos sinais), e por isso toda a vida do Cristo é um sinal. Nos sinais podemos mergulhar no mistério do Cristo em sua filiação divina (cf. 11, 27), e no amor extremo que ele tem por nós (cf. 13, 1). A Cruz é sinal desse amor.
Ainda sobre os sinais, devemos entender que eles preparam, despertam e provocam a fé, mas o ato de crer não deve parar nos sinais, mas sim interpretá-los de forma profunda, ao modo de Jesus.
A fé, muitas vezes descrita no Evangelho como “crer em”, é adesão a Pessoa de Jesus, significa ter confiança em Jesus, abandonar-se nele, mas do que aderir a uma doutrina, significa se unir a uma Pessoa. No ato de crer deve estar entranhada a confiança em Jesus como Filho de Deus, impulsionando a sair de si, a nascer de novo (cf. 3,3) gerando conversão e disponibilidade, superando a si mesmo, passando do velho, para o novo, e entrando no seguimento de Jesus, que é o amor, participando da obra de Deus, e por isso, a fé nos conduz a vida e a salvação. (cf. 3, 16).
A fé não pode ficar nos sinais, eles são passageiros, a bem-aventurança nos convida a crer sem ter visto (cf. 30, 28), pois o ato de crer deve levar aos rios de água viva (cf. 7, 38), ao pão da vida (cf. 6, 35), ao serviço do amor (cf. 13, 12-15). Aquele que crer, conhece a pessoa de Jesus, e Jesus o conhece, e também consegue ver em Jesus o Pai, e será auxiliado pelo Espírito de Deus. (cf. Jo 3, 34-35).
Em João, diferente dos Sinóticos, muitas vezes a fé não é requisito para os milagres: “Disse-lhe Jesus: “Se não virdes sinais e prodígios, não crereis” (4, 48), mas nasce deles, “Então o pai reconheceu (…) e creu, ele e todos os da sua casa”.(4 53), porém por meio da Palavra (cf.5,24; 6, 68), e na fidelidade a esta Palavra, deve descobrir que o sentido profundo dos sinais é a entrega de Jesus, Ele dar a si mesmo a todos nós. (cf. 6, 34-35) e por isso, “é a carne para a vida do mundo.” ( 6, 51)
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Ir. Pedro Paulo Espirito Santo Queiroz, CJS.
Religioso e Promotor Vocacional na Congregação de Jesus Sacerdote, Editor-Chefe da Revista Voz Amiga, Formado em Licenciatura Plena em Filosofia pela FAJOPA, e cursando o 5º semestre de Teologia no UNISAL. Bolsista PIBIC-CNPQ
