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Testemunho Vocacional do nosso Aspirante Lucas Oliveira.

 

 

Ao padre Pio Milpacher desejo dar todo o conforto que estiver ao meu alcance; aos sacerdotes do mundo ofereço minha oração e meu trabalho e a Jesus, Sumo Sacerdote, dou meu coração.

 

 

     “Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei” (Sl 39,9)

 

     Nunca fui aquela tradicional criança que, sendo coroinha desde cedo, brincava de celebrar missa, pelo contrário, nem passava pela minha cabeça seguir uma vocação religiosa ou sacerdotal. Meu primeiro despertar vocacional foi somente aos 16 anos de idade, quando  trabalhava em um mercado atacadista de Carapicuíba como empacotador. Em um dia muito especial, precisei substituir um amigo no “caixa empresa”, exclusivo para pessoa jurídica, uma situação muito providencial porque eu tinha pouco tempo no serviço e esse posto era para meninos com maior experiência, uma vez que tal caixa lidava com compras de alto valor. Durante a manhã desse dia incomum, entrou no mercado um padre acompanhado de dez jovens, chamando bastante atenção por conta de sua batina; na época ele era reitor do propedêutico diocesano e estava acompanhado dos seminaristas. Eu olhava para eles passando pelos corredores e até me distraia da minha função. Ao final das compras eles vieram em minha direção pois, como as compras eram feitas em nome da “Mitra Diocesana”, deveriam passar no caixa onde eu estava. Eu não conseguia disfarçar minha felicidade, não tirava os olhos deles. A operadora de caixa era minha amiga e contou para o padre que eu era católico, acólito e muito religioso. Fiquei constrangido, mas me senti bem por ele saber, por algum motivo eu queria muito que ele soubesse. Então ele veio até mim, imaginei que perguntaria qual era a minha paróquia ou quantos anos eu tinha, mas a pergunta que ele me fez foi mais enigmática e me perseguiu por anos: “Quando você vai entrar para o seminário?”, fiquei tão atônito que não consegui responder, ele passou a mão na minha cabeça, sorriu e se foi.

     Depois desse episódio meus olhos se abriram e inúmeros momentos anteriores da minha vida tomaram um tom vocacional, eu percebi que desde criança vários sinais já me haviam indicado um caminho. Entendi que Deus me queria para ele, mas não soube corresponder, pensava que era meu destino ser padre e que não precisava fazer absolutamente nada, afinal era meu destino correto? Não! A vocação é uma proposta de Deus, ou melhor, várias propostas que Ele vai fazendo para nos manter no caminho que sonhou para nós.

     Dessa forma, participei dos encontros vocacionais na diocese por dois anos, não ingressei em nenhum deles. Essa experiência me fez desejar mais que tudo entrar no seminário, percebi que Deus não me obrigaria a nada (Pd 1,10). Fiz também uma aproximação na comunidade Shalom, mas logo percebi que aquele ainda não era o meu lugar. Então, desisti. Comecei a estudar filosofia por conta própria, afinal sempre gostei e fazia parte do meu projeto de vida, ainda que não fosse um sacerdote poderia ser um bom professor. Foi um grande período de rebeldia, conflitos com meu pároco e ofensas ao Coração de Jesus, mas Deus teve misericórdia de mim e me enchia de novas propostas (Sl 37, 23-24). Só pra citar uma delas, certa vez aconteceria na região um encontro do SAV (serviço de animação vocacional), eu já havia pedido ao coordenador dos acólitos que não me escalasse mais, pois não queria pertencer ao grupo, mas ele continuava e ainda me obrigou a ir nesse encontro; eu acreditava que encontraria os seminaristas que fizeram encontro vocacional comigo e meu orgulho só pensava o quanto isso seria humilhante, mas o que eu encontrei foi outra proposta de Deus. O padre que celebrou a missa desse encontro, era recém ordenado, depois de ter passado alguns anos fora da sua congregação, concluiu a formação e se tornou sacerdote, ele chorava muito durante a homilia e eu queria chorar junto, porque eu o entendia perfeitamente. Aquele sacerdote reacendeu em mim o desejo de ser padre (Tg 1,2).

     Naquele mesmo ano, depois de mais algumas propostas, meu coração estava todo dilatado nas mãos do Senhor (Sl 118,32) e, em minha paróquia, chegou um seminarista (hoje um excelente padre e um grande amigo) que estudava com um noviço da Congregação de Jesus Sacerdote e me propôs participar dos encontros vocacionais, eu aceitei. Um desses encontros foi em Marília onde reencontrei o padre que chorou na homilia, ele era da Congregação de Jesus Sacerdote e até então eu não sabia. Cada passo dado anteriormente fazia sentido.

     Nesse mesmo encontro conheci o Padre Pio Milpacher e nele encontrei o sinal que tanto procurei e a resposta para a pergunta que despertou a minha vocação anos antes naquele mercado. Ao ver um padre que tanto havia feito, tanto construiu, tanto abandonou para vir ao nosso país e agora estava tão frágil e tão humano, percebi que gostaria de consumir toda a minha vida pelos sacerdotes, pois todos até o mais forte e trabalhador, estavam sujeitos às fragilidades humanas: às enfermidades do corpo e às tristezas da alma. E se até o Senhor Jesus pediu ao Pai que não os deixassem sós (Jo 17) quem sou eu para também não rezar por eles.

     Nesses quase três anos de aspirantado interno aprendi muito com os padres dessa família religiosa e ainda tenho muito a amadurecer, mas, basta olhar na perseverança de quem se esqueceu de quase tudo, menos de quem é Jesus, para saber que é esse o serviço que o Nosso Senhor me chama. Ao padre Pio Milpacher desejo dar todo o conforto que estiver ao meu alcance; aos sacerdotes do mundo ofereço minha oração e meu trabalho e a Jesus, Sumo Sacerdote, dou meu coração.

 

 

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Lucas Oliveira.
Aspirante na Congregação de Jesus Sacerdote e estudante de filosofia na Faculdade João Paulo II. 

 

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