Formação Sacerdotal – São José e a devoção popular

Revista Voz Amiga | Volume 31 | Nº 2 | Ano 2021

 

          Queridos Irmãos e Irmãs da Revista Voz Amiga, falar de São José é adentrar no mistério humano e divino no qual Deus o escolheu para cuidar do seu Filho, Jesus o sumo e eterno Sacerdote. José, colaborou assim no plano da salvação, juntamente com a Virgem Maria, mãe do Sacerdote. A solenidade dedicada a São José, pai adotivo de Jesus, é muito festejada por toda a Igreja Católica, sobretudo aqui no Brasil onde inúmeros seminários têm como padroeiro, o patrono universal da Igreja.  Não há melhor padroeiro a quem confiar os futuros sacerdotes, do que aquele a quem foi confiado o verdadeiro Sacerdote pelo próprio Deus.

          O evangelista São Mateus nos descreve São José como um “Homem Justo” (Mt 1,19). Quase todos nós idealizamos um pai completo, dotado de qualidades como: cuidado protetivo, a honestidade, a presença afetiva, o carinho, o amor e uma série de outras características que encontramos no santo carpinteiro. Sobretudo na vida de um sacerdote essa figura paterna se torna essencial, mas infelizmente nem sempre corresponde com a realidade de nossas famílias. Então, percebemos que o zelo e a pedagogia de Deus conosco são tão intensos que até isso nos dá: São José, um pai humano para amar e ser amado por ele.

          Não era sacerdote, mas um excelente formador, era um homem “justo”, porque possuía uma medida certa para as coisas. Era um homem de justo equilíbrio, pois, possuía a capacidade de amar e acolher, mesmo não compreendendo a totalidade do plano de Deus na sua vida e quis confiar naquilo que o Senhor lhe pedia. Assim, como São José, nós e todos os sacerdotes somos convidados a equilibrar a nossa vida com atitudes verdadeiras que manifestem incondicionalmente o amor e o respeito para com todos e principalmente aqueles mais fragilizados que nos cercam.

          Como sabemos, São José é Padroeiro Universal da Igreja Católica, cuja proclamação ocorreu em 1870, pelo beato Papa Pio IX. A Igreja ao longo dos séculos, sempre teve especial veneração e carinho à Santíssima Virgem Maria, e depois dela, a São José.  Em meio às suas angústias e inúmeras perseguições, foi a ele que ela sempre recorreu e ainda recorre.

          Portanto, não foi à toa que o Papa Francisco proclamou, para toda a Igreja, o Ano dedicado ao castíssimo esposo na ocasião da solenidade da Imaculada Conceição, da Bem- Aventurada Virgem Maria, em 8 de dezembro do ano de 2020, se encerrando na mesma data do ano de 2021. Assim, deu-se, então início ao “Ano de São José”, para celebrar os 150 anos da declaração do esposo de Maria como Padroeiro da Igreja Católica. Com a Carta apostólica, intitulada PATRIS CORDE – (Com coração de Pai).

          A solenidade dedicada a São José, sempre foi vista com especial carinho e devoção e ao mesmo tempo com grande esperança de modo especial para o povo nordestino, pois este acredita que “se chover no dia de São José”, dia 19 de março, então o inverno será bom para o plantio de suas lavouras. Alguns podem atribuir na sua interpretação, que se trate apenas de crença popular, porém, se trata de certa forma de um olhar confiante de que o provedor da sagrada família também a nós proverá, e um profundo desejo de cultivar o solo com responsabilidade e justo equilíbrio para o bem comum.

          A devoção popular é algo muito marcante na vida do povo simples de nosso país, sobretudo dos sertanejos e nordestinos. Pois, se trata de uma profunda intimidade com a providência, e é algo provindo do querer de Deus, pois se assim não fosse não persistiria por séculos essa devoção e carinho tão peculiar por São José. Quando algo provém da vontade de Deus, este perdura, prospera e se torna incontável como as estrelas do céu. Porém, quando provém do desejo egoísta do homem, estará fadado ao fracasso e desaparecimento.

          Compreendemos, caros leitores da Revista Voz Amiga, que a devoção popular é algo de único, brota da simplicidade de um povo e se assemelha às labutas e adversidades da vida com o santo de sua devoção. O nosso povo simples, atribui ao santo carpinteiro a realidade do trabalho cotidiano, e busca dar sentido às suas vidas, através das práticas de devoção com o sagrado. Rezando, com simplicidade e agradecendo as inúmeras graças e bênçãos recebidas do Santo de sua devoção. Por este motivo, a figura cativante e carismática de São José, , de modo especial para o povo nordestino, que se identifica  com Santo querido, reconhecendo que sentiu na própria pele, o significado de inúmeras provações e do árduo trabalho para sustentar a Família de Nazaré. Com isso, São José é considerado como aquele que proveu as necessidades de sua família em Nazaré, que sentiu o peso do fardo dos trabalhos, o calor do sol, a chuva, o frio, as incertezas, os medos, as dúvidas, e as inúmeras intempéries ao longo da sua vida terrestre. Mas, esse santo manteve-se firme e perseverante no temor de Deus nas necessidades da sua vida, por isso, a devoção popular o consagrou com especial carinho, por ver nele um homem justo, sonhador e temente a Deus.

          E é dessa espiritualidade profundamente devocional do brasileiro, que saem os jovens que buscam o discernimento vocacional ao sacerdócio, eles não nascem prontos, eles não caem do céu, são tirados do meio do povo para serem devolvidos para este povo.  Não devemos considerar as devoções piedosas como algo ruim, mas pelo contrário, no sacerdócio podem ser essas pequenas devoções que conduzirão um padre cansado ou ferido, de volta ao primeiro amor.

          Portanto, muitíssimos padres e seminaristas, buscam por meio da fé e da confiança em Deus, o patrocínio de São José e suplicam diariamente pedindo o seu valimento para suas necessidades cotidianas. Nesse sentido oracional, para expressar sua fé por meio das práticas devocionais, eles se inserem nas mais diversas e piedosas novenas e orações. Recomendemos ao Senhor e a São José, primeiramente os sacerdotes e aqueles que aspiram o sacerdócio, para que ele seja um espelho de castidade e virtude para todos. E, unindo nossa voz à dos devotos, roguemos por um ano de fartura, pelas chuvas, pela boa colheita, pela proteção contra todos os infortúnios e diversidades do mal, por todos os doentes, os tristes, os desempregados, os prisioneiros, os exilados, os injustiçados, os perseguidos… e por fim, por uma boa morte. Aqueles que pedem ao Santo sua ajuda, para resolver os inúmeros problemas, afirmam com grande fé e carinho, que sobre o seu patrocínio: “nunca se ouviu dizer, que aquele, que pediu com fé a São José, ficou decepcionado.”

          Roguemos a São José, patrono de toda a Igreja, que interceda por todos nós, e que ele continue a proteger e sustentar, com seus poderosos rogos, o povo de Deus e a Santa Igreja de seu Filho, Jesus Cristo, de quem era o seu fiel protetor. Amém.

       

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Lucas Oliveira.
Noviço e Filósofo da Congregação de Jesus Sacerdote.

 

 

 

 

 

 

Alexandre Correia da Silva.
Noviço e Teólogo da Congregação de Jesus Sacerdote.

 

 

 

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