A confiança da jovem Maria no Senhor

 

A jovem Virgem Maria teve medo, mas confiou e se entregou aos planos de Deus. E nós jovens, quais são os nossos medos? O que nos preocupa verdadeiramente?

 

Pinturas da Capela da Congregação de Jesus Sacerdote – Arquivo pessoal da congregação

          São compreensíveis a inesperada aparição do Mensageiro de Deus e a sua saudação misteriosa (cf. Lc 1,28), mas nos levam a pensar o que deve ter passado no coração de Maria, provocando um não entendimento do evento acontecido. A jovem Virgem Maria foi surpreendida pela revelação do anjo por parte de Deus ao afirmar a sua identidade e a sua própria vocação, que lhe eram ainda desconhecidas. Maria faz perguntas ao anjo sem entender a saudação, procurando por respostas defronte da imensidão do desígnio divino, ao mesmo tempo em que se sente pequena e humilde criatura diante da Grandeza de Deus anunciada. 

          À jovem e sempre virgem Maria aplicam-se as palavras do livro da Sabedoria: “Sou a mãe do belo Amor e do Temor, do Conhecimento e da santa Esperança” (cf. Eclo 24,24). Ela deu a resposta mais decisiva diante do plano salvífico de Deus. Ele volveu o Seu olhar para a pequenez de sua serva e enxergou o potencial em Maria que fora anunciada pelo Arcanjo como: Cheia de Graça (cf. Lc 1,28).

Foto divulgação.

        O fato de chamar pelo nome (cf. Is 43,1) é próprio de Deus. No primeiro livro da Bíblia, Ele chama à existência cada criatura que cria e dá nome (cf. Gn 1 ss). Por trás do nome, há uma identidade que é única de cada criatura, pois há em cada pessoa uma essência íntima que só Deus conhece profundamente (cf. Lc 1,30). Quando Deus chama pelo nome uma pessoa, Ele quer revelar nela a vocação.

          Embora não tenhamos em nossa vida a oportunidade de uma aparição extraordinária, Deus nos chama sempre a uma adesão ao Seu projeto. Isso pode acontecer também com pessoas que Ele convida para ser instrumentos da graça de Deus. A resposta é pessoal ao dom que vem do alto, mesmo sem entendê-lo completamente. O ato de crer se arrisca e se deixa à liberdade do próprio Deus. A resposta dada ao chamamento de Deus compromete a pessoa com o plano que Ele quer estabelecer, pois quem professa a fé não fica fechado em seu ego, mas sai ao encontro do encontro para se colocar em missão. Assim fez a jovem Maria, partindo para um verdadeiro serviço e se colocando como a missionária do Senhor, fazendo-se presença junto à sua prima Isabel. Pode-se entender que a fé abre portas e janelas que jamais serão fechadas; cumpre a pessoa se colocar a caminho como discípulo e discípula, missionário e missionária, livre de interesses pessoais para enxergar além do mundo por meio do apelo de outros que necessitam.

          Quando o Senhor quer alargar os horizontes de uma vida, decide chamar a pessoa por um novo nome: assim o fez com Simão, chamando-o de Pedro.  A razão principal pela qual Maria não deve temer é que encontraste a Graça diante de Deus. Feliz é Aquela que acreditou nas palavras do Mensageiro do Senhor (cf. Lc 1,45). Acreditar! Devemos olhar para a jovem Virgem Maria para aprender com Ela a arte de crer, de se entregar e de confiar. O anjo conversa com a jovem Maria, afirmando que ela já encontrou a Graça diante de Deus, não sendo assim necessário obtê-la no futuro; o presente se faz presença em Maria acumulada de Graça, não é algo momentâneo e fugaz. Assim garante o Senhor que no futuro também haverá sempre a Graça de Deus a sustentar-nos, principalmente nos momentos de provação e trevas.

 

          A contínua presença da Graça de Deus em nossas vidas, nos encoraja a abraçar o futuro com mais esperança, otimismo e confiança. A nossa vocação exige um compromisso de fidelidade que devemos renovar com o SIM de todos os dias. A resposta de Maria dada ao Mensageiro enviado por Deus é fonte de felicidade, porque liberta a pessoa de olhar apenas em um espelho que é o próprio Eu, fonte que se abre a horizontes impensáveis. A fé não se limita, mas abre caminhos para a vida humana, concedendo condições para enxergar com profundidade os acontecimentos. O ato de entrega para a Quem se confia é acreditar em Seus planos e propostas, os quais superam em muito a nossa pequenez e fragilidade.

Imagem divulgação: Virgem Maria e o menino. Fiat Voluntas Tua

          As palavras do anjo anunciadas a Maria descem sobre os medos humanos, até os mais sombrios de nossa existência, dissolvendo-os com a força da Palavra de Deus; a nossa vida não é uma pura causa e nem mera luta pela vida de cada dia, pois cada um de nós somos uma história amada por Deus. O fato de Maria ter encontrado Graça diante dos olhos de Deus, significa que Deus, o Criador adentra na beleza interior de sua criatura, ou seja, em nosso ser, tendo um grande plano de salvação para a nossa existência. Tudo isso, certamente, não resolve tudo e nem tira as incertezas da vida, mas nos dá uma força para transformá-la profundamente. Aquilo que é desconhecido e que o amanhã nos reserva não é uma obscura ameaça, mas é um tempo favorável para ser feliz. Muitas pessoas fazem escolhas cujas consequências determinarão o rumo da sua própria existência, ou seja, trata-se de uma autoconfiança, com a qual se acredita ou se aposta a vida. Assim o fez a jovem Maria que se entregou ao dar a resposta do Fiat Voluntas tua (Faça-se a tua vontade.) (cf. Lc 1,38), porque acreditou em Deus, o seu SIM é uma experiência de fé pela qual encontrou a felicidade em seu chamamento.

          O Mensageiro de Deus leu no fundo do coração de Maria e disse: “Não temas!”. Nessa afirmação podemos ver que Deus lê também o nosso íntimo, pois sabe o que se passa dentro do nosso coração. Devemos “dar crédito” à voz interior, instrumento que Deus usa para nos tocar.

          A jovem Virgem Maria teve medo, mas confiou e se entregou aos planos de Deus. E nós jovens, quais são os nossos medos? O que nos preocupa verdadeiramente? Muitos têm medos de não serem amados por Deus e pelos outros, ou seja, de não serem aceitos por aquilo que são. Medos muito presentes em inúmeros jovens, tanto naqueles que creem quanto naquele que não creem. E mesmo naqueles que acolheram a vocação no “sim” diário, por certo não estão isentos de medos.

          Portanto, a certeza que a Graça de Deus está em nós provém da força para termos coragem no agora: trata-se de um coração forte para levar adiante aquilo que Deus nos pede e coragem para abraçar a vocação dada por Ele que nos mostra a direção do coração para viver a fé a nossa fé, sem se esconder ou se amedrontar.

          À jovem Virgem Maria uma tarefa importante foi entregue, precisamente na juventude. Uma tarefa que exigia uma resposta pessoal. Nós, jovens, temos uma força que atravessa precisamente esta nossa fase da vida, fase em que, de uma forma ou de outra, sobram energias. Devemos usar, portanto, essas energias e canalizá-las para melhorar o mundo, começando pelas realidades existentes perto de nós, ao nosso lado.

Foto: Salim Wariss / Imagem de Nossa Senhora de Nazaré – Círio de Nazaré em Belém do Pará

          Por Deus somos convidados a contemplar o amor de Maria que não mede esforços para ajudar e servir; um amor constante e concreto, cheio de coragem que ultrapassa os seus limites e confins para fazer transbordar a Graça recebida, assim o fez Maria (cf. Lc 1,39). Se cada um de nós vivermos como Maria, na sua entrega confiante a Deus, aquela caridade irá nos impelir a amar a Deus acima de tudo e de nós mesmos, ou seja, amar sem medida as pessoas com quem partilhamos a nossa vida diária. Amar inclusive aqueles a quem se poderia parecer, por si mesmo, pouco amável. Um amor que se torna dedicação mediada pelo serviço que transforma a nossa face e nos alegra.

          Maria, a jovem de Nazaré que Deus escolheu para ser a Mãe do seu Filho, caminha conosco e nos ensina a escutar a voz do Senhor que infunde coragem e dá a Graça necessária para que possamos responder ao seu chamamento: “Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segunda a tua palavra” (cf. Lc 1,37).

 

 

 

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Alexandre Angelotti Cruz, SDB
Licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Salesiano São Paulo (2016). Cursa o 6° período de teologia no Unisal. Religioso Salesiano de Dom Bosco.

 

 

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