A origem e a história do dia de Santificação Sacerdotal

O projeto do Dia de Santificação Sacerdotal chegou à minha mente no mês de novembro do ano passado, um pensamento que me dominava cada vez mais”. (Padre Mário Venturini)

 

 

 

Padre Mário Venturini, em seus escritos.

          A Jornada de Santificação Sacerdotal foi um desejo específico do Coração de Cristo, fruto de uma particular inspiração. Padre Mario Venturini, nosso Fundador e primeiro promotor da iniciativa, estava convencido disso. No ano 1947, no mês de março, anotava no seu diário: “O projeto do Dia de Santificação Sacerdotal chegou  à minha mente no mês de novembro do  ano passado, um pensamento que me  dominava cada vez mais”.

          O Padre, conhecido na Itália toda como apóstolo dos padres, era acostumado a estas “ideias”. Chegavam de improviso à sua mente, melhor ao seu coração, e tomavam conta dele em profundidade. Foi assim com a “ideia” de fundar uma Obra totalmente a serviço dos padres, a Congregação de Jesus Sacerdote, e repetiu se muitas vezes ao longo de sua caminhada de Fundador e de missionário incansável dos padres. Muitas intuições sobre aspectos particulares da nossa espiritualidade e de iniciativas concretas de apostolado brotaram destas “ideias”.

          Como sempre, porém não confiava simplesmente nas suas intuições, sobretudo quando feriam sua grande humildade e a consciência de sua incapacidade. Procurava discerni-las com pessoas prudentes e de grande espiritualidade, e, sobretudo, com os seus superiores eclesiásticos.

          Foi assim, também, com a iniciativa da Jornada de Santificação. Encontramos, no seu diário, suas dúvidas: “Era uma inspiração o que eu estava provando, ou um sonho de fantasia, o desejo de por em vista a Congregação?” Seus Religiosos não se mostraram muito entusiastas, mas o conselho de amigos, entre eles dom Calábria (que a Igreja já proclamou santo), e, sobretudo, a aprovação e a bênção particular de Pio XII tiraram qualquer dúvida.

          Com o entusiasmo que o caracterizava organizou todo o trabalho necessário para lançar e animar o Dia de Santificação. Incentivou a nós, seus filhos, para colaborarmos nesta iniciativa.

 

 

          Um trabalho intenso

 

         Os colaboradores do Fundador não esquecem o trabalho intenso de preparação feito cada ano para promover o Dia de Santificação. Iniciava-se seis, sete meses antes. O Fundador mesmo preparava uma mensagem para o clero do mundo inteiro, motivando a celebração da Jornada, indicando e aprofundando um tema específico da vida e do ministério do padre, como tema de oração e de reflexão naquele dia.

          Esta mensagem, traduzida nas principais línguas do mundo, e em latim para os demais setores linguísticos, tinha que chegar a todos os Bispos da Igreja.

          Nós, os mais novos, éramos encarregados de dobrar as mensagens e colocá-las nos envelopes a serem enviadas aos Bispos e Superiores de Congregações masculinas do mundo. Preparar os endereços e mantê-los atualizados era muito difícil naquela época. Naquele tempo não tínhamos outros modernos instrumentos de comunicação.

          Colocando no correio as mensagens, Padre Venturini nos exortava a “acompanha-las com nossas orações e sacrifícios, para incentivar a santificação dos padres por meio do Coração de Jesus, fonte de vida e de santidade.” (Diário).

          O Fundador foi fiel neste trabalho até o último ano de vida (1957).

        Depois dele, como preciosa herança, sua Família Religiosa deu continuidade à iniciativa, com fé e coragem, consciente de tornar-se instrumento, pobre e inadequado, a serviço do Coração Sacerdotal de Jesus.

          Todo ano os Papas (de Pio XII a João Paulo II) apoiaram com uma mensagem particular o Dia de Santificação Sacerdotal e bispos do mundo inteiro escreviam a Trento agradecendo e incentivando a continuar.

          Em 1995 a Santa Sé pediu à nossa pequena Congregação de assumir diretamente a iniciativa, por meio da Congregação para o Clero, dando à mesma uma oficialidade e uma abertura eclesial mais significativa. Nós, evidentemente, aceitamos, agradecendo ao Senhor que a inspiração do Fundador encontrasse esta confirmação por parte da Igreja.

          Só desejávamos que continuasse a ser celebrado todo ano, para dar seus frutos de santidade sacerdotal na Igreja do Senhor. Como compromisso de Congregação nós continuamos a rezar para que possa dar seus frutos de santidade entre os padres, oferecendo nossa vida pela santificação do clero.

          A Santa Sé abriu, também, a Jornada a todos os fiéis da Igreja como Dia de Oração pela Santificação dos Padres, pois sempre, mas, sobretudo nestes tempos, sentimos a necessidade que a Igreja toda reze com insistência ao Coração de Jesus para pedir mais padres e padres santos.

          O dia de santificação foi celebrado, desde o começo, no dia da Festa do Sagrado Coração de Jesus. Questionou-se, o começo, porque não escolher para esta celebração a Quinta Feira Santa, dia sacerdotal por natureza. Sem dúvida, seria o dia mais significativo e apropriado, mas a resposta foi fácil: naquele dia os padres têm celebrações próprias e outros compromissos específicos. Torna-se difícil, naquele dia, encontrar-se nos presbitérios e com os bispos, para juntos refletirem, rezarem e confraternizarem: momentos importantes e característicos da Jornada.

          Também o Papa manteve a indicação da Festa do Coração de Jesus como a mais oportuna. Não por simples motivo devocional. Estamos descobrindo no Coração de Cristo, “rico em graça e misericórdia” os aspectos qualificantes e mais típicos do sacerdócio, do Seu Sacerdócio e da nossa participação a esta grande realidade seja como batizados, seja, como presbíteros, com serviços e responsabilidades específicos.

          No Dia de Santificação rezemos com mais intensidade para pedir que todos os nossos Padres possam sempre mais fazer experiência da misericórdia do Coração Sacerdotal de Jesus. Uma experiência pessoal e profunda tornará cada um deles testemunha e ministro desta grande misericórdia para com todos os irmãos e irmãs, sobretudo os mais sofridos e necessitados.

 

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Padre Angelo Fornari, CJS.
Superior da casa de Barretos – SP, e responsável pelo trabalho específico com os sacerdotes. Psicopedagogo e Professor Emérito da Faculdade João Paulo II.

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